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Óstraco #01 — Os dois mestres do tempo e a mulher que se recusou a ser estátua

Atualizado: 22 de nov.

Devido aos danos encontrados na peça, as palavras entre colchetes são reconstruções modernas.

Fragmento de cerâmica inscrita, traduzido e adaptado por M.A.C.M. Proveniência: Vale das Rainhas, tumba QV17. Datação: XVIII Dinastia. Lote C-1905 — Acervo Pessoal.
Fragmento de cerâmica inscrita, traduzido e adaptado por M.A.C.M. Proveniência: Vale das Rainhas, tumba QV17. Datação: XVIII Dinastia. Lote C-1905 — Acervo Pessoal.


Disse Neheh: Volte, Meryt, pro agora.


E Djet, concordando como quem se opõe, acrescentou: Só o que é digno permanece.

Entre as horas que já haviam [sido], tudo se repete. Memória e miragem alternam vigílias. Me apavora a [estagnação]. O barro é vencido pelo cíclico das cheias e o granito é rígido demais para abrigar um coração que deseja, para além de seu alvo, o próprio [desejo].


Anseio, mesmo que isso me enfie até o pescoço em areia movediça.

Supliquei que me libertassem do [peso] das lembranças que devoram o próprio rabo e cospem voltas cada vez mais apertadas.


Foi [inútil] o meu lamento. Os mestres do tempo carregavam clepsidras partidas.


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