Óstraco #01 — Os dois mestres do tempo e a mulher que se recusou a ser estátua
- Flavia Lima Corpas
- 1 de ago.
- 1 min de leitura
Atualizado: 22 de nov.
Devido aos danos encontrados na peça, as palavras entre colchetes são reconstruções modernas.

Disse Neheh: Volte, Meryt, pro agora.
E Djet, concordando como quem se opõe, acrescentou: Só o que é digno permanece.
Entre as horas que já haviam [sido], tudo se repete. Memória e miragem alternam vigílias. Me apavora a [estagnação]. O barro é vencido pelo cíclico das cheias e o granito é rígido demais para abrigar um coração que deseja, para além de seu alvo, o próprio [desejo].
Anseio, mesmo que isso me enfie até o pescoço em areia movediça.
Supliquei que me libertassem do [peso] das lembranças que devoram o próprio rabo e cospem voltas cada vez mais apertadas.
Foi [inútil] o meu lamento. Os mestres do tempo carregavam clepsidras partidas.
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