Óstraco #03 — ato de húbris
- Flavia Lima Corpas
- 17 de nov.
- 1 min de leitura
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Movida por um ímpeto cego e atraída pelo véu escuro do poço, a tocha ardia.
Quis conhecer o fundo, ler as pedras molhadas que contavam histórias de amores abissais.
Inclinou-se sobre a borda como um fio dourado lançado;
fina
teia
pelo
vazio.
O ar faltou, a fumaça subiu.
Engolida pela ânsia de ver, a tocha aceitou:
algum mistério deve permanecer intocado para que a luz não pereça.
Nota da editora: A imagem da tocha diante do poço sugere afinidade com ritos de iniciação. Após nem tão breve reflexão, confesso que não resistiria à queda. Creio que tal ideia seja rejeitada por meus pares.



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