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Image by The New York Public Library

Sobre 𓁘 

María Antonia Corpas Moreno nasceu em 1854, em Salar, Andaluzia e morreu em 1933, em Magé, Rio de Janeiro. Não sobra muito mais para eu te contar a respeito dela, minha trisavó.

Uma mulher analfabeta e, pelo que a tradição me leva a crer, silenciada. Ela não preserva um rosto que eu possa usar como recordação, ou que alimente os meus devaneios. Seus únicos vestígios são o nome que agora pego emprestado e algumas páginas amareladas que mencionam vidas julgadas prosaicas pelos filtros convencionais da historiografia.

Descobri-la é o mesmo que interpretar um artefato antigo.

Por isso, tomei a liberdade de transformá-la em uma decifradora de línguas perdidas. É um modo de devolver a ela o que o mundo negou: a escrita e, por extensão, o direito à voz. 

Esta é uma carta de amor à sua memória, aos gestos femininos esquecidos nos óstracos de Deir el-Medina e às lacunas dos escribas que revelam mais do que escondem.

 

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